Em reunião remota na Câmara de Campinas, ex-secretários de saúde mostram preocupação com a flexibilização das medidas de isolamento social
A Comissão de Planejamento Estratégico de Emergência para Desenvolver Estratégias e Ações de Prevenção ao Coronavírus no âmbito do Poder Legislativo realizou nesta sexta-feira (05/06) uma discussão técnica com ex-secretários municipais de Saúde para avaliação do atual quadro da pandemia em Campinas.
Participaram do encontro os vereadores Pedro Tourinho (PT), médico sanitarista e presidente da Comissão Permanente de Política Social e Saúde da Câmara de Campinas, o vereador Jorge da Farmácia (PSDB), integrante da Comissão Anti-Coronavírus, além dos ex-secretários Odair Albano, Gastão Wagner e Adilson Rocha, e das ex-secretárias Carmem Lavras e Maria do Carmo Cabral Carpintéro. Guztavo Zuccato, subsecretário de Relações Institucionais da Câmara Municipal, comandou a mesa dos trabalhos do plenário do Legislativo. Os demais participaram de forma remota.
Os profissionais da saúde se manifestaram contrário a abertura e flexibilização das medidas de controle de isolamento social, que estão sendo adotadas por diversos municípios e estados. Pedro Tourinho salientou que, com o registro do número de aumento de casos e de mortes por covid 19, o mais correto nesse momento seria a adoção de medidas mais restritivas e mais próximas do chamado lockdown, o bloqueio total da circulação de pessoas e carros.
“Infelizmente, estamos num momento em que o remédio tem que ser mais amargo. Temos exemplos de outras cidades que flexibilizaram diversos setores econômicos e depois tiveram que retroceder para evitar que ocorressem mais mortes por conta do colapso no sistema de saúde”.
Adilson Rocha mostrou preocupação com a comunicação no Brasil. Lembrou que o governo federal adota uma postura de negacionismo da pandemia, confundindo ainda mais a população. Também citou uma interferência desnecessária por parte do governo federal na gestão do Sistema Único de Saúde, o que acaba prejudicando e atrapalhando o controle da doença.
Carmen Lavras reforçou que os interesses econômicos não podem estar acima da saúde. “Estamos aqui discutindo vidas. E, não tenho dúvidas, que com a flexibilização vamos perder muitas vidas”, disse.
Gastão de Souza lembrou que no país falta uma coordenação capaz de aglutinar forças para ajudar a combater a pandemia. “Não podemos trabalhar de forma isolada e uniliteralmente”. Ele sugeriu que SUS de Campinas fizesse a vigilância epidemiológica em etapas, com o diagnóstico e o atendimento de assintomáticos respiratórios pela rede primária e de urgência, acompanhada de avaliação clínica, e a realização do teste molecular, além de fazer o rastreamento completo de cada caso.
Maria do Carmo Cabral Carpintéro disse que o país, de forma geral, não fez um isolamento da forma correta. “Não tivemos um isolamento real”. Ela comentou que são nas comunidades mais carentes dos municípios que o vírus se espalha mais rapidamente. Ela recomendou um plano específico de trabalho com diretrizes claras para as comunidades com a concentração de pessoas mais vulneráveis, com a participação efetiva dos agentes de saúde vinculados aos postos de saúde. Maria do Carmo pediu ainda um plano regional entre municípios, já que o vírus extrapola os limites territoriais das cidades.
Odair Albano falou sobre as dificuldades em se conter o avanço do novo coronavírus. Ele pediu mais empenho da sociedade organizada para enfrentar a pandemia. “Está faltando a participação dos Conselhos Locais de Saúde, dos setores econômicos, do setor educacional e outros setores. Há muitas informações desencontradas. Será muito difícil qualquer ação ser bem-sucedida sem que a população esteja convencida da necessidade das medidas”.
O vereador Jorge da Farmácia (PSDB), como farmacêutico, disse que está na linha de frente do processo. Ele ressaltou que as autoridades de saúde de Campinas têm adotado medidas de controle, que tiveram bons resultados. Segundo ele, se não houvesse essas ações o resultado para Campinas teria sido muito pior. Jorge defendeu as medidas de flexibilização que o governo do Estado de São Paulo está propondo para os municípios.
Por fim Guztavo Zuccato adiantou que a Comissão de Planejamento Estratégico de Emergência para Desenvolver Estratégias e Ações de Prevenção ao Coronavírus vai ouvir também de forma remota os ex-secretários de Finanças do município para debater os aspectos econômicos da pandemia. "O administrador público tem que ter em mente que a saúde e a economia são os grandes desafios nesse momento".
Texto e Foto: Central de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Campinas
