Estudo da Puccamp apresentado na Comissão do Campo Grande aponta que vulnerabilidade econômica na Região Noroeste aumentou 17% em uma década
A região Noroeste de Campinas tem mais de 50 mil pessoas em condições de vulnerabilidade econômica, segundoestudo apresentado pela professora extensionista Vera Plácido, da Puccamp, à Comissão de Estudos sobre o Desenvolvimento do Campo Grande. Em relação a 2010, este número representa um aumento de 17% das pessoas que vivem com menos de um salário mínimo mensal.
A região Noroeste é composta pelo distrito do Campo Grande e também a região do Jardim Londres e Jardim Garcia. O levantamento apresentado pela professora leva em conta a inclusão no Cadastro Único da Assistência Social, que permite aos cadastrados a obtenção de apoios nos programas sociais. Em 2010 havia 42.604 pessoas no Cadastro Único. Os dados atuais trazem o número de 50.255 pessoas cadastradas.
A professora questionou que esse indicador é extremamente preocupante, não só pelo aumento de casos, mas também por conta da exclusão social dessas pessoas. “Se não é possível suprir as necessidades básicas, o que dizer de outras necessidades? Estamos falando de pessoas que não conseguem nem acessar o serviço público”, comentou.
O estudo traz ainda outras informações relevantes: 58% da população vulnerável é composta por mulheres. Os dados foram obtidos junto ao IBGE, Prefeitura de Campinas, Fundação Feac e Observatório da Puccamp sobre Vulnerabilidade Social. Os resultados deste estudo foram apresentados na primeira reunião da Comissão, realizada na última segunda-feira, dia 22, por videoconferência e com transmissão pela TV Câmara de Campinas.
Discussão
O presidente da Comissão, vereador Cecílio Santos (PT), disse que esse diagnóstico é fundamental para estabelecer políticas públicas para mudar essa situação. “Vamos trabalhar para que esta questão da vulnerabilidade possa se extinguir. Não podemos aceitar que as pessoas vivam com menos de um salário mínimo. Temos que fazer a inclusão social e vamos perseguir isso”, afirmou.
O relator da Comissão, vereador Paulo Bufalo (PSOL), comentou que é preciso uma transformação social na região: “como nós podemos propor instrumentos para dar musculatura, resiliência à população para cobrar investimentos de qualidade na região?”
Outro integrante da Comissão, o vereador Gustavo Petta (PCdoB) destacou o problema do deslocamento diário da população por conta da falta de empregos na região. “As pessoas moram nas franjas, mas o trabalho continua concentrado. Temos que atuar em dois movimentos: novos centros e ocupação dos espaços vazios.
Quem também participou do encontro foi a vereadora Guida Calixto (PT). Ela comentou que muitas pessoas em Campinas “foram expulsas dos locais onde estavam atrás da sobrevivência”, mas elas não querem sair de seus bairros, “elas querem melhorar o local onde estão”.
Os dados apresentados por Vera Plácido vão ajudar a compor o diagnóstico da região que deve estar presente no relatório final da Comissão. Os vereadores decidiram realizar mais discussões em três eixos: planejamento urbano, desenvolvimento econômico e políticas públicas. Nos próximos dias a Comissão vai divulgar as futuras atividades, o que inclui abrir o debate junto à população do Campo Grande com reuniões remotas à noite.
A proposta é encerrar os trabalhos da comissão em junho para que propostas sejam encaminhadas à Prefeitura e possam ser incluídas no Plano Plurianual que será finalizado no segundo semestre.
Texto: Gabinete do vereador Cecílio Santos (PT)
Foto: Diretoria de Comunicação Institucional da Câmara Municipal de Campinas
