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Protestos contra declarações ofensivas de deputado a arcebispo e papa marcam sessão desta segunda e quatro moções são aprovadas contra Frederico D´Ávila

18/10/2021

Diversos vereadores manifestaram indignação, na noite desta segunda-feira, em relação à fala do deputado Frederico D´Ávila (PSL) no último dia 14, na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), na qual o parlamentar ofendeu o arcebispo Dom Orlando Brandes e o papa Francisco – entre outros vitupérios, D´Ávila chamou os líderes religiosos de “vagabundos”, “safados” e e “pedófilos”, além de ter dito que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil “é um câncer.”

O vereador Luiz Cirilo (PSDB) destacou que a atitude do deputado foi “totalmente na contramão de um homem público.”  “A tribuna da Alesp foi usada como palco de um discurso insólito e espero desde já que a assembleia  tome as providências contra os impropérios do deputado agressor, que enxovalhou a própria Alesp, além de suas vítimas. Espero que os pares do deputado infrator tomem providências em puni-lo pelo expresso ferimento da ética e o decoro parlamentar”, afirma o parlamentar tucano, autor de uma das moções aprovadas nesta noite.

“Não quero politizar a fala do deputado, quero criminalizá-la. Ele tem que ser responsável por aquilo que fala. Vamos inclusive apresentar na Alesp amanhã um documento pedindo apuração e cassação deste deputado. Não se pode atacar de maneira alguma uma instituição desta maneira”, completa o vereador Jorge Schneider (PL), que apresentou moção conjunta com o vereador Zé Carlos (PSB), presidente da Câmara, protestando contra as falas de D´ Ávila.

O vereador Cecílio Santos (PT) também é autor de moção aprovada hoje e repudiou a fala do deputado estadual. “Lamento e peço que a Alesp apure e tome providências. Se espera de um parlamentar uma postura ética e de respeito a pessoas instituições. Não se pode admitir que a CNBB e o bispo possam ser atacados e achincalhados como foram”, afirma.

Por fim, o vereador Gustavo Petta (PC do B) também teve moção aprovada em apoio ao arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, contra os ataques desferidos pelo deputado estadual. “O estado democrático de direito preserva aos líderes religiosos o direito à manifestação e ao exercício da sua vocação religiosa e, ao atacá-los, o deputado fere a missão parlamentar, mas também a laicidade do Estado”, defende.

Diversos outros parlamentares também se manifestaram a respeito do caso nos discursos. Entre eles, o vereador Rodrigo da Farmadic (DEM), que informou que, com a vindoura união de DEM e PSL em um novo partido, deverá ser pedida a expulsão de Frederico D´Avila da nova legenda.

As quatro moções foram aprovados por todos os presentes, a exceção dos vereadores Major Jaime (PP) e Nelson Hossri (PSD), que votaram contrário a elas. Hossri inclusive protocolou moção contra a fala do arcebispo Brandes no dia 12, feita durante missa no Santuário de Aparecida com a presença do presidente Jair Bolsonaro, na qual o religioso  defendeu a vacinação em massa contra a pandemia de covid-19 e criticou a política armamentista dizendo que “Pátria amada não é pátria armada.” A moção do vereador, contudo, foi rejeitada na Comissão Permanente de Legalidade e encaminhada para arquivo.

Texto e foto: Diretoria de Comunicação Institucional da CMC

Publicada em 18/10/2021 21h37