Onze vereadores, de sete diferentes partidos, pedem Passe Livre no transporte municipal no dia da eleição
Onze vereadores de Campinas, de sete partidos diferentes, protocolaram uma indicação pedindo que o Poder Executivo adote o Passe Livre na cidade no dia 30 de outubro, domingo em que será realizado o segundo turno das eleições para governador e presidente. A iniciativa é capitaneada por Gustavo Petta (PCdoB), que já havia feito a mesma solicitação à Prefeitura para o pleito de primeiro turno, e conta com as assinaturas de Cecílio Santos, Paolla Miguel e Guida Calixto, do PT; Paulo Búfalo e Mariana Conti, do PSOL; Carlinhos Camelô e Permínio Monteiro, do PSB; Luiz Rossini, do PV; Otto Alejandro, do PL; e Paulo Haddad, do Cidadania.
O valor do preço da passagem pode ser um fator para que a alta abstenção no primeiro turno. No dia 2 de outubro, Campinas registrou uma abstenção de mais de 21%, acima da média nacional (20%) e igual a média estadual (21%). Entre as zonas eleitorais da cidade, ocorreu abstenção maior que a média na 379 (35.654 eleitores) e na 275 (31.745 eleitores), que chegaram a 25% de abstenção. Já na Zona 378, que abrange a região do Ouro Verde e Campo Belo, mais de 43 mil pessoas não foram às urnas no primeiro turno das eleições.
“Muitos desses que deixaram de votar por causa do fator distância da casa com o local de votação. Passa a impressão que é mais barato não votar do que votar”, afirma o vereador Gustavo Petta (PCdoB), autor da indicação. Ele esclarece: o valor da multa para não votar na Eleição 2022 pode variar entre R$ 1,05 e R$ 3,51, além de série de penalidades enquanto o valor da passagem de ônibus pode variar entre R$3,40 e R$5,60 para cada viagem.
Petta acrescenta que no país todo autoridades, membros do judiciário e a sociedade civil organizada estão se mobilizando para convencer os executivos públicos municipais a adotarem a gratuidade do transporte urbano no dia 30. Raquel Rolnik, professora da FAU-USP e coordenadora do Labcidade, argumenta, em texto de 14 de outubro, que “8% dos que se abstiveram não foram às urnas porque o “local de votação é muito longe”.
Junte-se a isso, os 2% de eleitores que, segundo matéria da Folha de São Paulo declararam que não compareceram à zona eleitoral pois “não tinham dinheiro para ir votar”, demonstrando a falta de condições para arcar com a passagem do transporte público.
Com isso em mente, a sociedade civil organizada lançou a campanha “Passe Livre Pela Democracia”, que já conta com a adesão de mais de 40 organizações da sociedade civil brasileiras. A plataforma, utilizada no primeiro turno está sendo aprimorada e permite que o cidadão se expresse via internet para indicar ao poder executivo municipal que deseja a gratuidade do transporte. Até o momento, quase 1000 municípios já estão participando da campanha através da pressão da sociedade.
Texto: Gabinete do vereador Gustavo Petta
Foto: Diretoria de Comunicação Institucional da CMC
