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Em encontro histórico, representantes das comunidades muçulmana e judaica assinam na Câmara Carta de Acordo de Paz; ação pede fim do conflito entre Israel e Palestina

20/12/2023

Representantes da comunidade muçulmana e da comunidade judaica participaram de um encontro histórico na Câmara Municipal de Campinas para assinatura de um documento, denominado “Carta de Acordo de Paz”, com uma proposta de paz no Oriente Médio, principalmente no conflito entre Israel e Palestina. O documento foi elaborado em conjunto pelas duas comunidades e será encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Participaram do encontro, coordenado pelo presidente do Legislativo, vereador Luiz Rossini (PV); Ricardo Pucceti, presidente da Sociedade Israelita Brasileira Beth Jacob de Campinas; Abdel Latif Hasan Abdel Latif, representante do Comitê Campinas de Solidariedade ao Povo Palestino; Jamile Abdel Latif, do Comitê Campinas de Solidariedade ao Povo Palestino; Nader Ezz El Din Habib, diretor da Sociedade Islâmica de Campinas; além dos vereadores Marcelo Silva (PSD), Carmo Luiz (Republicanos) e representante do gabinete do vereador Gustavo Petta (PCdoB).

 Luiz Rossini disse que é o momento de expressar o desejo de construção da paz mundial, a partir da resolução deste conflito entre Israel e Palestina. “A Câmara pretende com este gesto demonstrar que a paz é possível e que a convivência entre os povos, entre as nações e as religiões é uma necessidade para que a gente possa viver em um mundo de respeito e valorizar o ser humano”, enfatizou Rossini.

 Ele lembrou que Campinas abriga pacificamente representantes da Sociedade Israelita e da Sociedade Islâmica. “Nosso exemplo de convivência pacífica de respeito e de harmonia em Campinas pode ser reproduzido em todas as partes do mundo”, completou.

 Para Ricardo Pucceti, da Sociedade Israelita, é essencial que haja o conhecimento sobre o conflito. “O importante é existir fontes que permitam que as sociedades dialoguem e ao dialogar entendam que elas não são tão diferentes e que existem muitas similaridades culturais e religiosas”, pontuou.

Jamile Abdel Latif, do Comitê Campinas de Solidariedade ao Povo Palestino, entende que o encontro na Câmara de Campinas representou uma esperança. “Nenhuma guerra é eterna e nenhuma guerra de fato termina com vitória. Para quem estimulou a guerra, para quem semeou a injustiça vai ficar a vergonha, o peso e a prestação de contas futura”, desabafou.

Jamile também parabenizou a iniciativa histórica da Câmara pelo encontro entre as duas comunidades e a assinatura do documento e devido encaminhamento. “A única forma de acabar com esta situação trágica, que ceifa vidas, corpos e almas dos seres humanos é a conciliação das narrativas e a empatia”, finalizou.

Já Nader Ezz El Din Habib, diretor da Sociedade Islâmica de Campinas, ressaltou que espera que esta importante iniciativa da Câmara seja multiplicada. “É importante que todas as pessoas tenham consciência que esse conflito tem que cessar imediatamente. Vidas de pessoas se foram e hoje vivemos um mundo em que nem a crianças e recém-nascidos tem um mínimo de garantia de que vai viver. Nós, como entidades religiosas, temos por obrigação trabalhar a conscientização das pessoas em prol da paz”, concluiu Habib.


Veja a íntegra do documento

CARTA ACORDO DE PAZ

PALESTINA E ISRAEL: POR UMA RESOLUÇÃO PACÍFICA, JUSTA E DEFINITIVA

Campinas, 20 de Dezembro de 2023.

Excelentíssimo Senhor Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva

A Sociedade Islâmica de Campinas e a Sociedade Israelita Brasileira Beth Jacob de Campinas, amparadas pela Câmara Municipal, representada aqui pelo seu presidente e demais vereadores, vêm por meio desta, primeiramente, saudá-lo com a Paz, como é hábito nas tradições religiosas islâmica e judaica.

Há mais de 75 anos, os civis da Palestina e Israel sofrem com um conflito que não representa as culturas judaica e islâmica.

Essas culturas, tão importantes para o mundo, prezam pela paz e pelo convívio pacífico entre os povos. Qualquer mudança neste paradigma constitui uma infração às Leis da Torá e do Alcorão.

Reconhecemos que o caminho para a paz deve iniciar-se dentro de nós e dentro de nossas comunidades, para depois buscarmos a expansão para o mundo. Daí a importância do exemplo da convivência tolerante e respeitosa das comunidades muçulmana e judaica de Campinas.

Estamos diante de um ciclo de violência que se retroalimenta. E mesmo diante da intensidade e da gravidade do conflito, não se observa intenção real das lideranças mundiais em buscar a paz. Isto acaba eternizando perdas constantes de vidas, de ambos os lados. Salvar uma vida equivale a salvar a humanidade.

Em 1947, o Brasil presidiu a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, com o senhor Oswaldo Aranha, para definir a partilha da Palestina pela Resolução 181, além de convencer os demais países da América Latina a votarem a favor da proposta.

Portanto, o Brasil teve um papel decisivo na história recente da Palestina e no reconhecimento de dois Estados, independentes e soberanos. E, hoje, possui um status moral capaz de carregar a enorme responsabilidade de ajudar a solucionar o problema.

As comunidades muçulmana e judaica de Campinas, unidas pelo bem comum, gostariam que o Brasil continuasse protagonizando sua liderança em nome da paz mundial, com uma linha de atuação que promova equilíbrio e justiça, e que permita que as duas partes possam ser ouvidas. Para alcançar este objetivo, os dois lados devem cessar, incondicional e imediatamente, toda e qualquer violência, preservando a vida e o bem-estar de seus civis.

A defesa da vida deve estar acima de todas as divergências políticas ou ideológicas. A sua preservação é um valor fundamental do qual depende a existência humana. A preservação das vidas das crianças deve ser vista como primordial, em todas as situações e de ambos os lados. Ultrapassar esse limite é uma evidência da falência de nosso legado ético.

Manifestamos publicamente a nossa união, muçulmanos e judeus, irmãos na fé, juntamente com os parlamentares de Campinas, e convocamos as entidades islâmicas e judaicas no Brasil e no mundo, bem como as respectivas lideranças políticas, a firmarem esse pacto, um Acordo de Paz que assinamos, simbolicamente, em nome de palestinos e israelenses.

Confiantes na sua capacidade de aproximar e dialogar com lados em oposição, escolhemos Vossa Excelência como o porta-voz da Paz, para negociar diretamente com os dois lados um cessar-fogo imediato e uma solução pacífica definitiva, conforme as resoluções da ONU e respeitando o princípio da autodeterminação dos povos, estabelecido no Direito Internacional a fim de assegurar a independência, a liberdade, a segurança e o direito de organização própria.

Que ambos os lados, com o apoio de todos os países, se comprometam a reconhecer o Direito à Existência do Estado Livre e Democrático da Palestina e de Israel.

Que assim seja e que os dois povos possam viver com Dignidade, Segurança e Paz.

Obrigado.

Salam (Paz). Shalom (Paz).

Sociedade Islâmica de Campinas

Nader Ezz El Din Habib – diretor

Sociedade Israelita Brasileira Beth Jacob Campinas

Ricardo Puccetti – presidente

Câmara Municipal de Campinas

Luiz Rossini – presidente

Demais parlamentares

Vereador Marcelo Silva

Vereador Carmo Luiz

 

Texto e fotos: Câmara Municipal de Campinas

Publicada em 20/12/2023 16h50