Guida Calixto requer informações sobre reformas da Campos Sales e preservação arqueológica das fundações da antiga Igreja Nossa Senhora do Rosário
A vereadora Guida Calixto (PT) protocolou requerimento de informações, nesta sexta-feira (24), no qual demanda à Prefeitura esclarecimentos sobre as reformas da Avenida Campos Sales e preservação arqueológica das fundações da antiga Igreja Nossa Senhora do Rosário. “Estamos pedindo informações específicas com o objetivo de garantir a preservação dos vestígios arqueológicos da antiga Igreja Nossa Senhora do Rosário, buscando o resgaste de sua história, principalmente de sua relação com a população negra de Campinas”, explica a parlamentar.
Guida relata que, ao final da avenida, nas intervenções urbanísticas de 1956, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi demolida. O templo surgiu inicialmente como capela, a partir de 1817, tendo a construção sido finalizada pela Irmandade Nossa Senhora do Rosário, constituída principalmente por negros escravizados. Nos momentos seguintes, a capela tornou-se Igreja e passou por várias reformas e ampliações.
“Em todo o país, as Igrejas com essa denominação tem origens parecidas, construídas e frequentadas pela população negra. No entorno da Igreja Nossa Senhora do Rosário ocorreram várias ações religiosas, festas populares, procissões, organizadas pela população negra de Campinas. As tradições africanas foram mescladas com a religiosidade católica, marcando o sincretismo religioso dessa população”, conta Guida.
A partir dos anos 1920, continua a vereadora, foi proposta pela elite local um projeto de reforma urbana do Centro de Campinas, liderada pelo arquiteto Francisco Prestes Maia, contratado pelo governo municipal, que apontava para o alargamento de ruas e avenidas, com demolições de várias construções, inclusive da Igreja Nossa Senhora do Rosário. Esse processo foi acelerado nas décadas seguintes, principalmente a partir dos anos 1950, sob gestão do Prefeito Rui Novais.
“A demolição da Igreja causou reações indignadas da população campineira, especialmente do povo negro. Essas reformas urbanísticas tiveram origem não só pelo processo de urbanização e crescimentos das grandes cidades, pela chegada dos automóveis, mas também por concepções eugênicas e higienistas das elites nacionais e locais. Para as sociedades eugênicas era preciso ‘branquear’ a população brasileira como processo de desenvolvimento. Nesse sentido, uma Igreja de negros não caberia num local privilegiado da cidade”, acredita.
A vereadora acrescenta: “Felizmente, as resistências populares e negras apresentam-se das mais diversas formas, inclusive na história oral: o Largo do Rosário, que não possuiu essa denominação oficialmente, é lembrado até hoje por conta da Igreja e do que ela representa para a população negra. Além dos projetos eugenistas e higienizadores, outra forma que as elites encontraram para seus intentos foi o apagamento da história, seja por meio de seus aparatos culturais e educacionais, como também pela destruição material da história dos povos oprimidos. Por isso se faz necessária na tentativa de preservar os vestígios arqueológicos da Igreja Nossa Senhora do Rosário, buscando o resgaste de sua história, principalmente de sua relação com a população negra de nossa cidade.”
Guida lembra ainda que na reforma da Rua Treze de Maio, em 2004, foi contrato um arqueólogo para pesquisar a existência das fundações dos Teatros Carlos Gomes e São José, encontrados e protegidos sob a estrutura do banheiros que se encontram hoje na Praça Rui Barbosa. Diante disso, a vereadora solicita o projeto arquitetônico, urbanístico, paisagístico e viário do trecho entre as Ruas José Paulino até a Avenida Francisco Glicério. “Também queremos saber se os projetos de revitalização e reformas da Avenida Campos Sales contemplam o sítio arqueológico das fundações da antiga Igreja Nossa Senhora do Rosário, e se existe a contratação de consultoria de pesquisa arqueológica para as obras nesse trecho da antiga igreja”, conclui.
Texto e foto: Diretoria de Comunicação Institucional da CMC
