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Paolla Miguel protocola projeto que prevê a instalação de pontos de apoio para trabalhadores de aplicativos em Campinas

08-05-2024

Um projeto de lei protocolado pela vereadora Paolla Miguel (PT) na Câmara de Campinas prevê instalação de pontos de apoio destinados a trabalhadores de aplicativos de entrega e transporte individual privado de passageiros em diferentes regiões da cidade.

De acordo com a vereadora, o objetivo é “oferecer condições mínimas de trabalho para uma das categorias mais afetadas pela precarização nas relações laborais”. “Esses trabalhadores e trabalhadoras sustentam boa parte da economia local e, ainda assim, estão submetidos a jornadas exaustivas, baixa remuneração e quase nenhum respaldo das empresas que intermediam o serviço”, afirma.

O texto prevê que as empresas operadoras desses serviços serão responsáveis pela construção, manutenção e funcionamento das estruturas, que deverão contar com banheiros com chuveiros, sala de descanso com itens para higienização, acesso gratuito à internet, espaço para alimentação, pontos de recarga de celulares, área para estacionamento de bicicletas e motos, além de pontos de espera para motoristas.

A implantação deverá contemplar, obrigatoriamente, sete regiões do município: Campo Grande, Ouro Verde, Nova Aparecida, Sousas, Barão Geraldo, Centro e Região Sul. As empresas terão o prazo de seis meses após a publicação da lei para apresentar um plano de implementação.

Na justificativa, a vereadora destaca a urgência da medida frente ao crescimento acelerado desse tipo de trabalho em Campinas e à ausência de políticas públicas voltadas ao bem-estar desses profissionais.

A parlamentar também cita dados do IBGE e de estudos realizados pela Unicamp que evidenciam a precariedade das condições enfrentadas por entregadores e motoristas: mais de 60 horas de trabalho semanais, longos períodos sem descanso adequado, consumo insuficiente de água e alta incidência de acidentes durante o expediente. “Trata-se de uma categoria majoritariamente composta por homens negros, muitas vezes invisibilizados nas políticas públicas”, pontua Paolla.

A iniciativa segue exemplos adotados em outras cidades brasileiras e surge como resposta a demandas históricas da categoria, como as levantadas durante o “Breque dos Apps”, paralisação nacional realizada em 2020 e 2021 por melhores condições de trabalho e remuneração justa.

Para se tornar lei, o projeto deverá ser aprovado em duas votações no Plenário da Câmara e, posteriormente, sancionado pelo prefeito.

 

Texto e foto: Câmara Municipal de Campinas

 

Publicada em 8/05/2025 14h03