Comissão de Meio Ambiente debate impactos ambientais da instalação de data center em Campinas
A Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal de Campinas realiza na quinta-feira (17/9), às 14 horas, na Sala Sylvia Paschoal, sua 7ª Reunião Ordinária, com debate sobre os impactos ambientais da instalação de data center em Campinas. O encontro contará com a participação de Paulo José da Silva e Silva, professor do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica (IMECC) da Unicamp, que atualmente coordena o data center da universidade.
Pela metodologia prevista na pauta, o convidado fala primeiro, seguido de perguntas, debate e respostas. A reunião é aberta ao público. A comissão também enviou convite à Secretaria Municipal de Urbanismo de Campinas, comandada pela arquiteta e urbanista Carolina Baracat Lazinho, para participar do debate, mas até o momento não houve confirmação de que ela ou algum representante estará presente.
O tema chegou ao Legislativo em um momento de forte repercussão na cidade. Em 20 de agosto, a empresa Terranova anunciou o início das obras do Campus Campinas, um data center em hiperescala voltado à inteligência artificial, na histórica Fazenda Pau D'Alho, no distrito de Barão Geraldo, às margens da Rodovia Campinas-Mogi. O empreendimento ocupará cerca de 944 mil m² no futuro Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável (PIDS), com investimento inicial estimado em US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões) — projeções totais chegam a R$ 5 bilhões.
Os números energéticos colocam o projeto entre os maiores do setor no país: capacidade inicial de 216 megawatts (MW), com expansão prevista para até 386 MW — o equivalente a cerca de 40% de toda a capacidade de TI hoje comissionada no Brasil. A infraestrutura elétrica prevê subestação de 300 MW, com possibilidade de chegar a 1 gigawatt (GW). A empresa afirma ter adotado solução de resfriamento que "praticamente elimina" o uso de água, um dos principais pontos de preocupação associados a data centers.
O tamanho do empreendimento, porém, acendeu alertas sobre consumo de água e energia, ilhas de calor, poluição sonora e pressão sobre a infraestrutura da região. A vereadora Mariana Conti (PSOL) e a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acionaram o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal pedindo inspeção georreferenciada na Fazenda Pau D'Alho, acesso ao balanço hídrico do projeto, ao Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) e esclarecimentos sobre licenciamento ambiental, além da preservação do patrimônio histórico — a propriedade tem cerca de 230 anos de história.
O vereador Gustavo Petta (PCdoB) e o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) também denunciaram o projeto, classificando o modelo como "neocolonialismo digital" e questionando a natureza dos empregos prometidos — a Prefeitura estima entre 3,5 mil e 3,6 mil postos, majoritariamente temporários.
A discussão não é exclusiva de Campinas. O Ministério Público de Contas de São Paulo apontou possíveis irregularidades no licenciamento ambiental de data centers em Sumaré e Hortolândia, na Região Metropolitana de Campinas. Estudos citados por pesquisadores indicam que, até 2029, os data centers serão responsáveis por 3,9% do consumo de energia no Brasil, e cientistas alertam para o impacto hídrico dessas estruturas em meio aos incentivos públicos para atração de projetos.
Em Barão Geraldo, um debate público realizado em 29 de agosto, na Praça do Coco, já reuniu especialistas da Unicamp para discutir os riscos do empreendimento. Agora, a Comissão do Meio Ambiente, presidida pelo vereador Luis Yabiku (Republicanos), leva o tema ao plenário da Câmara, com a contribuição técnica de Paulo José da Silva e Silva, do IMECC/Unicamp, para embasar a discussão sobre os impactos ambientais e o futuro do polo tecnológico da cidade. A proposta do tema para o debate foi do vereador Wagner Romão (PT). Além do presidente, a comissão é composta pelos vereadores Benê Lima (PL), Hebert Ganem (Podemos) e Rubens Gás (PSB).
Texto e Foto: Câmara Municipal de Campinas
