Largo do Rosário
Esse nome está intimamente ligado à história da Igreja do Rosário.
O início da construção da capela teria sido uma iniciativa do tenente ituano, Pedro Gonçalves Meira, que por divergir com o vigário local sobre o terreno escolhido, acabou se mudando de Campinas. Um outro terreno foi escolhido, próximo àquele alvo da divergência, e a edificação foi inciada em 1817.
Dois padres estiveram à frente das obras, mas faleceram antes de ver a igreja pronta. Assim, a finalização da capela passou aos cuidados da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, existente desde 1810 e formada por negros.
Com os esforços da Irmandade e de beneméritos, em 1870, a igreja recebeu a complementação de sua fachada e a construção de duas torres laterais que em 1887 foram demolidas por apresentarem riscos à população.
O largo fronteiriço à Capela passou a concentrar atos religiosos, como procissões e missas campais, além de festas pautadas no sincretismo religioso dos negros africanos. Também foi palco de solenidades públicas e das homenagens feitas ao Imperador Dom Pedro II em suas visitas a Campinas, em 1848, 1875 e 1878.
Esse espaço, popularmente conhecido como Pátio do Rosário ou Largo do Rosário passaria a ser denominado oficialmente, em 1887, como Praça Visconde de Indaiatuba.
Como passar dos anos, a praça foi se configurando separada da igreja, recebendo melhoramentos como a arborização (1871), a instalação de chafarizes (1874) e calçamento (1909). Em 1895, tornou-se um grande jardim com calçadas, bancos, novo chafariz e iluminação a gás.
Em 1934, foi inaugurado no Largo do Rosário, um monumento em homenagem a Campos Salles, quarto presidente da República. Uma obra do escultor Yolando Malozzi.
O plano de urbanismo desenvolvido pelo engenheiro e arquiteto Francisco Prestes Maia, aprovado e regulamentado em 1938, previa o alargamento das avenidas Francisco Glicério e Campos Salles. Para isso, várias demolições deveriam ser feitas. Entre elas, a da Igreja do Rosário, o que causou críticas e indignação da população.
O alargamento das avenidas ocorreu lentamente. A partir da gestão do prefeito Ruy Novaes, em 1956, os trabalhos foram acelerados, incluindo as demolições. O projeto executivo da demolição da Igreja do Rosário foi votado pela Câmara de Campinas, que o aprovou por 19 votos a 02.
Em setembro de 1956, a Igreja do Rosário já estava totalmente demolida.
O Largo do Rosário já possuía uma vocação para receber grandes manifestações, desde a primeira visita de Dom Pedro II, em 1848, quando cerca de 10 mil pessoas se aglomeraram naquele espaço para homenagear o Imperador.
Com o tempo, o largo passou a ser considerado o local ideal para eventos que envolvessem grande público. Foi assim, em 1930, quando foi palco para a festa pela vitória de Getúlio Vargas.
Nos anos 1970, houve um projeto de remodelação do largo que visava desistimular as manifestações, visto que o Brasil estava sob o regime da ditadura. Em 1982, o prefeito Chico Amaral propôs transformar o largo em um terminal de ônibus. Em 1996, o Largo do Rosário foi tombado pelo Condepacc.
Largo do Rosário ou Praça Visconde de Indaiatuba é um espaço que testemunhou vários fatos da história de Campinas e até hoje permanece com sua vocação de ser um lugar democrático de convivência.
Referências:
CENTRO DE MEMÓRIA DA UNICAMP – CMU. Um rosário de memórias: 1817-1928; 1929-1989. jun. 2020.
Disponível em: https://artsandculture.google.com/story/7AUhSQbehxWfJA?hl=pt-BR
https://artsandculture.google.com/story/VQVxF61n8trwLQ?hl=pt-BR
Acesso em: 12 jun. 2024
LIMA NETO, Francisco. Largo do Rosário, a praça do povo. Correio Popular. 10 nov. 2019.
Disponível em: https://correio.rac.com.br/campinasermc/largo-do-rosario-a-praca-do-povo-1.371897
Acesso em: 12 jun. 2024
