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Rua Oziel Alves Pereira

Oziel nasceu no Mato Grosso e tinha três irmãs e dois irmãos. Chegou ao Estado do Pará, em Parauapebas, em 1983, quando seus pais compraram uma casa na cidade.

Ele cursou até a quarta série do ensino fundamental e largou os estudos para trabalhar na lavoura.

Ingressou no Movimento dos Sem Terra – MST, aos quinze anos de idade. Terminou os seus estudos, com material escolar doado pelo Estado e com professores pagos pelo próprio movimento. Dessa forma, conseguiu o certificado de conclusão do ensino fundamental. 

Oziel Alves Pereira

Oziel se destacou como militante do movimento, ganhando posição de destaque na direção. Costumava ter a palavra nas reuniões, assembleias e manifestações, puxando palavras de ordem ou cantando as músicas do MST. 

Possuía um destemido entusiasmo e era um nato animador. Chegou à coordenação estadual do MST, em menos de dois anos.

No final de 1995, o MST invadiu a propriedade a Fazenda Macaxeira e buscou negociar com o Instituto Nacional da Reforma Agrária – INCRA, a sua desapropriação. Diante da falta de respostas e de promessas não cumpridas, o movimento decidiu protesta na capital Belém.

Uma marcha se iniciou em Curionópolis e pretendia passar por Eldorado dos Carajás e Marabá, antes de chegar a Belém. No dia 16 de abril de 1996, o movimento decidiu ocupar a estrada, no ponto conhecido como curva do S, em Eldorado dos Carajás, reivindicando transporte, alimentação e medicação. Eram quase duas mil pessoas. O prefeito de Eldorado, Vicente Correia, foi negociar com o movimento no dia 17 de abril. As reivindicações não foram atendidas.

Por volta das 16 horas do dia 17 de abril de 1996, cerca de 150 policiais militares chegaram em ônibus cedidos por uma empresa de transporte.

Ao escurecer, eles começaram a descer dos ônibus, cercaram o acampamento e abriram fogo contra os trabalhadores. Dezenove foram mortos, entre eles, Oziel, que perdeu a vida aos 17 anos de idade. A chacina ficou conhecida como o Massacre de Eldorado dos Carajás.

Referências:

BARBOSA, Catarina. Massacre de Eldorado de Carajás completa 24 anos: um dia para não esquecer. Brasil de fato. Abr. 2020

Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/04/17/massacre-de-eldorado-do-carajas-completa-24-anos-um-dia-para-nao-esquecer

Acesso em: 14 jun. 2024

LUCENA, Rodolfo. Vítima do massacre dos Carajás é homenageada em acampamento da juventude sem-terra. Brasil de Fato. mai. 2016

Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2016/05/02/vitima-do-massacre-de-carajas-e-homenageado-em-acampamento-da-juventude-sem-terra

Acesso em: 14 jun. 2024

ZANINI, Fábio e MACHADO, Irineu. Líder morto aos 17 estudou e foi ator. Folha de São Paulo. 22 abr 1996.

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/4/22/brasil/16.html

Acesso em: 14 jun. 2024