Avenida Anchieta
José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534,em San Cristóbal de La Laguna, em Tenerife, arquipélago das Canárias, na Espanha. Faleceu em 9 de junho de 1597, em Reritiba (atual Anchieta), uma localidade no Espírito Santo.
Seu pai, Juan López de Anchieta, vinha de uma importante família basca. Sua mãe, Mencía Díaz de Calvijo e Llerena, era natural das Canárias. Sua família paterna tinha parentesco com Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus.
José iniciou seus estudos em casa e em seguida ingressou na escola dos dominicanos, quando aprendeu os conhecimentos da gramática latina.
Aos 14 anos, em companhia de seu irmão mais velho, foi para Coimbra, Portugal, para estudar filosofia no Real Colégio das Artes e Humanidades. Nessa época, entrou em contato com os jesuítas. Em 1551, entrou na Companhia de Jesus, onde despertou o desejo de se tornar um missionário.
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Em 1553, ainda noviço, José chegou como missionário no Brasil. Ele havia partido de Lisboa em 8 de maio de 1553 e desembarcou em Salvador no dia 13 de julho. Após um curto período de adaptação, viajou para o Sul do país na companhia do Padre Manuel da Nóbrega, para uma nova missão, nos Campos de Piratininga. Aportaram em São Vicente e junto a outros religiosos subiram a Serra do Mar, chegando ao Planalto onde se instalaram. Em 24 de janeiro de 1554, foi inaugurado um barracão junto a uma aldeia de índios. No dia seguinte, foi celebrada a primeira missa, para marcar a festa litúrgica da Conversão do apóstolo São Paulo. A data de 25 de janeiro de 1554 é reconhecida oficialmente como marco histórico da fundação da cidade de São Paulo. Por instrução do Padre Manuel da Nóbrega, José de Anchieta e outros doze missionários fundaram o Colégio de São Paulo. Assim que o barracão foi instalado, iniciou-se o trabalho de catequese. Anchieta desempenhou um intenso trabalho no Colégio, ensinando a língua portuguesa aos índios e filhos de portugueses e, ao mesmo tempo, estudando a língua dos nativos. Em 1556, escreveu a Arte de Grammatica da Lingva mais Vsada na Costa do Brasil, a primeira gramática do tupi, que se tornou um importante instrumento de trabalho dos missionários. Utilizou o teatro para a catequese e oito peças de sua autoria são conhecidas. |
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Durante suas atividades missionárias, José escreveu longos relatos para os superiores da Companhia de Jesus. Suas cartas estão repletas de elementos preciosos para os estudos antropológicos dos primeiros habitantes do Brasil. Além disso, muitas das suas anotações tratam sobre a flora, a fauna, a geografia e o clima da terra brasileira. Anchieta pode ser considerado um dos primeiros antropólogos e naturalistas do Brasil.
Em 1563, Anchieta acompanhou o padre Manuel da Nóbrega na negociação de paz entre portugueses e tamoios, entregando-se como refém aos índios, com quem permaneceu por mais de seis meses. Nesse período, teria escrito na areia de uma praia de Ubatuba, os versos do poema De Beata Virgine Dei Matre Maria (Da Virgem Santa Maria Mãe de Deus), com mais de 5000 versos em latim. Anchieta teria decorado todos os versos e os transporia para o papel meses mais tarde, em São Vicente, quando já em liberdade.
Toda a obra de Anchieta foi escrita durante os mais de 40 anos de sua vida no Brasil. Por essa razão, há quem o considere o fundador da literatura brasileira.
Em 1566, Anchieta viajou para Salvador a fim de se ordenar sacerdote. Em agosto, oficialmente ordenado, pode rezar sua primeira missa.
José de Anchieta participou da fundação do colégio jesuíta do Rio de Janeiro e foi seu reitor de 1570 a 1573.
Foi designado, em 1577, provincial da ordem, o mais alto cargo da Companhia de Jesus no Brasil. Com a função de administrar os Colégios Jesuítas do país, viajou por várias cidades, entre elas, Olinda, Reritiba (hoje Anchieta) no Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santos e São Paulo. Esteve à frente dessa função por 10 anos.
Alegando problemas de saúde, pediu afastamento desse cargo em 1587, retornando ao Espírito Santo, onde foi reitor do colégio jesuíta de Vitória, até a sua morte em 1597.
Após relatos de milagres ocorridos em São Paulo e atribuídos a José de Anchieta, iniciou-se o seu processo de canonização.
A beatificação viria a ocorrer apena em 22 de junho de 1980, durante o papado de João Paulo II. No dia 3 de abril de 2014, o Padre Anchieta foi canonizado pelo Papa Francisco, tornando-se o terceiro santo brasileiro.
Em Campinas, o Ato nº 56, de 1934 denomina Avenida Anchieta uma via do município, como homenagem ao fundador da cidade de São Paulo e agora também, santo brasileiro.
Referências:
CASTRO, Ligia. Padre José de Anchieta: entenda quem foi (em resumo). Toda Matéria,[s.d.]. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/padre-anchieta/
Acesso em: 12 jun. 2024
FRAZÃO, Dilva. José de Anchieta: padre jesuíta espanhol.
Disponível em: https://www.ebiografia.com/jose_anchieta/
Acesso em: 12 jun. 2024
PADRE José de Anchieta. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024.
Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2783/padre-jose-de-anchieta
Acesso em: 12 de junho de 2024.
Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7
SCHERER, Dom Odilo Pedro. Quem foi Padre José de Anchieta. Arquidiocese de São Paulo: arcebispo: artigos e pronunciamentos, 2014
Disponível em: https://arquisp.org.br/arcebispo/artigos-e-pronunciamentos/quem-foi-o-padre-jose-de-anchieta
Acesso em: 12 jun. 2024

