Avenida Imperatriz Dona Amélia
Amélia Augusta Eugênia Napoleona de Leuchtenberg nasceu em 31 de julho de 1812, em Monza que fazia parte de Milão, na Itália e faleceu em 26 de janeiro de 1873, em Lisboa, Portugal.
Seus pais eram o general francês Eugênio de Beauharnais, enteado de Napoleão I e Augusta Amélia, filha de Maximiliano I José, rei da Baviera.
Napoleão adotou Eugênio como filho e posteriormente o titulou como Vice-Rei da Itália. Dessa forma, Amélia Augusta era neta adotiva de Napoleão Bonaparte.
Quando Amélia estava com dois anos de idade, ocorreu a queda de Napoleão e de seus apoiadores, incluindo Eugênio, pai de Amélia, que decidiu nunca mais se envolver com os assuntos franceses.
A família que morava em um palacete de verão em Monza foi acolhida pelo avô de Amélia, o rei Maximiliano I José, que lhes ofereceu asilo.
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Embora a família de Amélia fosse nobre, havia na corte uma resistência em aceitar essa nobreza, em razão de seu parentesco com Napoleão. Com a morte de Maximiliano I, assumiu o trono o seu filho Luís I que passou a hostilizar a família de Amélia, com receio de que seu pai, Eugênio, usurpasse o trono. No Brasil, Dom Pedro I havia acabado de ficar viúvo. Era o ano de 1826. O Imperador solicitou ao Marquês de Barbacena que encontrasse para ele uma segunda esposa na Europa. Mas essa não foi uma tarefa fácil, porque a fama de marido infiel de Dom Pedro I havia se espalhado pelas cortes europeias, onde se sabia das humilhações sofridas por Leopoldina e da influência da Marquesa de Santos sobre Dom Pedro I. Dom Pedro I ficou quase três anos viúvo, porque seu pedido de casamento foi rejeitado por mais de sete princesas europeias. Diante dessa situação, Dom Pedro I decidiu diminuir os requisitos da noiva, restringindo a apenas dois: bela e virgem. O Visconde de Pedra Branca, que representava o Império Brasileiro em Paris, encontrou em Amélia, a Princesa bávara, as qualidades que Dom Pedro I exigia. O primeiro pedido de casamento que o Imperador fez a Amélia foi rejeitado pela mãe dela, uma vez que a jovem tinha apenas 15 anos e ainda não tinha sido apresentada à corte bávara. |
Quando aconteceu o segundo pedido, a mãe da jovem viu nisso uma oportunidade de melhorar o status da família, que sofria a rejeição da corte de Luis I. Amélia poderia assumir o título de Alteza Imperial, melhorando a posição social da família que passaria a ser tratada com respeito e dignidade.
O casamento se realizou por procuração, em Munique, em 02 de agosto de 1829. Amélia estava com 17 anos. Uma divisão naval foi buscar a imperatriz que chegou ao Rio de Janeiro em 16 de outubro de 1829. No dia seguinte, foi realizado o casamento religioso.
Com a chegada de Dona Amélia, Dom Pedro I pretendia resgatar sua popularidade que andava bem desgastada. O Brasil estava mal financeiramente, após a Guerra da Cisplatina e os interesses de Dom Pedro I na sucessão do trono português desagradavam os políticos e o povo brasileiro.
Dona Amélia exerceu uma notável influência sobre Dom Pedro I. Foi dela a ideia de que ele buscasse uma reaproximação com o Partido Brasileiro. Essa reaproximação gerou um período de trégua, que durou um ano e meio, até que o surgimento de novos problemas, acabou culminando na abdicação de Dom Pedro, em 1831.
No curto período em que permaneceu no Brasil, Dona Amélia se posicionou a favor do povo brasileiro e tentou defendê-lo de todo ataque que pudesse acontecer. No Palácio de São Cristóvão, organizou protocolos, impôs o francês como língua oficial, redecorou os espaços, atualizou a moda e culinária, numa tentativa de reorganizar a bagunça em que se tornou a corte depois do falecimento da Imperatriz Leopoldina.
Com os filhos de Dom Pedro I, foi atenciosa e amorosa, a ponto do pequeno Pedro II, chamá-la de mamãe.
Após a abdicação, Dom Pedro voltou à Europa para defender o trono português que havia sido usurpado de sua filha Maria da Glória, pelo seu irmão, Dom Miguel. Dona Amélia o acompanhou, grávida de sua única filha, e permaneceu em Paris, cuidando de sua enteada, enquanto Dom Pedro lutava contra o seu irmão para reaver o trono. Dom Pedro saiu vitorioso dessa disputa e sua filha assumiu o trono como Maria II, rainha de Portugal, de 1834 a 1853.
Logo após essa vitória, Dom Pedro veio a falecer. A viúva Dona Amélia precisou encontrar um marido para Maria da Glória, a fim de consolidar o seu reinado. O escolhido foi Augusto, irmão de Dona Amélia. Porém, Maria da Glória se tornou viúva, em menos de um ano de casamento.
A única filha de Dona Amélia e Dom Pedro I, Maria Amélia de Bragança, nasceu em Paris, durante o período em que Imperatriz cuidava da sua enteada, Maria da Glória. Dona Amélia garantiu que sua filha completasse o ensino superior, que era proibido naquela época para as mulheres, mesmo as mais abastadas. Graças ao seu esforço, a princesa se formou em física e astronomia. Porém, aos 21 anos de idade Maria Amélia foi vítima de tuberculose e faleceu.
Depois de perder o marido, o irmão e a filha, Dona Amélia dedicou o resto de sua vida à caridade. Foi dela a iniciativa de fundar o Hospital Princesa Dona Maria Amélia para atendimento de tuberculosos carentes na Ilha da Madeira.
Pouco antes de morrer, em 1873, Dona Amélia recebeu a visita de Dom Pedro II, com quem trocou cartas desde o dia em que partiu do Brasil. Seu corpo foi sepultado junto à filha e ao marido no Panteão de São Vicente de Fora. Em 1982, seus restos mortais foram trazidos ao Brasil e repousam na Cripta Imperial, no Parque da Independência, em São Paulo, ao lado de Dom Pedro I e Dona Leopoldina.
Para homenagear Dona Amélia, Dom Pedro criou a Ordem da Rosa, em 1830. Campinas também presta homenagem à segunda Imperatriz do Brasil, dando o nome de Avenida Imperatriz Dona Amélia a uma via do Jardim Guarani.
Decreto nº 4.229, de 5 de abril de 1973.
Referências:
LIMA, Isabelly de. D. Amélia. Qual o destino da herança valiosa deixada pela Imperatriz?
Disponível em:
Acesso em: 22 ago. 2024
MONITCHELE, Marília. Biografia revela a influência de Amélia de Leuchtenberg sobre Pedro I: A jovem franco-bávara, a segunda mulher do imperador, influenciou-o na política e ditou moda no Império.
Disponível em: https://veja.abril.com.br/comportamento/biografia-revela-a-influencia-de-amelia-de-leuchtenberg-sobre-pedro-i
Acesso em: 22 ago. 2024
RIBEIRO, Sabrina. A história de Dona Amélia de Leuchtenberg — A Segunda Imperatriz do Brasil.
Disponível em:
Acesso em 18 set. 2024

