Praça Ramos de Azevedo
Francisco de Paula Ramos de Azevedo nasceu em 08 de dezembro de 1851, em São Paulo, e faleceu em 1º de junho de 1928, no Guarujá.
Era filho do casal campineiro Major João Matias de Azevedo e de Ana Carolina de Azevedo. Casou-se com Eugênia Lacaze, sobrinha de Francisco Glicério, com quem teve três filhos.
Seu nascimento ocorreu, casualmente, em São Paulo, já que sua mãe grávida foi fazer companhia para a irmã adoentada, que residia na Rua Imperatriz (atual Rua XV de Novembro) e o parto se antecipou. Dias após o parto, Ana Carolina regressou à Campinas.
Apesar de ter nascido em São Paulo, Ramos de Azevedo sempre se considerou um legítimo campineiro. Foi em Campinas que passou a sua infância e aprendeu as primeiras letras.
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Aos dezoito anos ingressou na Escola Militar da Praia Vermelha, época em que o Brasil estava em guerra com o Paraguai. Nessa escola já havia demonstrado seu senso artístico e ordeiro, sendo escolhido pelo diretor, general Polidoro, para ser seu secretário pessoal. Com o fim do conflito, Dom Pedro II fez ver aos alunos iniciantes daquela escola, que pouco futuro eles teriam ali, já que suas carreiras seriam preteridas em favor dos oficiais combatentes de guerra. Foi então facilitada para os alunos iniciantes a saída da escola. De volta à Campinas, em 1872, Ramos de Azevedo ingressou como praticante, sem receber qualquer salário, nas obras de construção das estradas de ferro Paulista e Mogiana. Trabalhou sob a chefia do engenheiro Antônio Rebouças no trecho Campinas-Rio Claro entre os anos 1874 e 1875. Em 1875, foi para Bélgica para estudar engenharia civil na École Speciale du Génie Civil et des Arts et Manufactures, na Universidade de Gante. A conselho do diretor da escola, transferiu-se para o curso de engenheiro-arquiteto. Em 1878, recebeu o seu diploma com a menção de “grande distinção” e no ano seguinte retornou ao Brasil, fixando-se em Campinas. Nessa época, começavam a surgir as primeiras construções em tijolos, que viriam marcar sua obra mais tarde. Ao longo de sete anos, seus trabalhos ganharam projeção em meio à elite, já que seu pai os promovia em boletins que publicava em jornais da região |
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Foram dele os projetos da Escola Ferreira Penteado (1880), o Circolo Italiani Uniti (hoje Casa de Saúde Campinas), a finalização da Catedral Metropolitana (1883) e muitas residências, como o Solar do Barão de Ataliba Nogueira.
Em 1885, Ramos de Azevedo apresentou à Câmara Municipal um projeto de Código de Posturas, elaborado em conjunto com Luiz Augusto Pinto. O projeto, não promulgado, previa medidas para a remodelação arquitetônica e urbanística de Campinas, a melhoria das condições de higiene e a ocupação ordenada do espaço urbano.
Durante os trabalhos de finalização da Matriz, Ramos de Azevedo conheceu o Visconde de Indaiatuba, vice-presidente da Província de São Paulo, que o convidou a construir na capital os edifícios da Tesouraria da Fazenda, da Secretaria da Agricultura e da Secretaria de Polícia.
Ramos de Azevedo, atendendo ao convite, se mudou para São Paulo, em 1886, e ali estabeleceu, anos mais tarde, o maior escritório de projetos do século XIX e início do século XX: a F. P. Ramos de Azevedo e Cia.
Além das citadas secretarias de estado, são suas obras na cidade de São Paulo: o edifício do Liceu de Artes e Ofícios; o Teatro Municipal; a Agência Central dos Correios e Telégrafos; o Mercado Municipal; a Escola Estadual Caetano de Campos; o Instituto Pasteur; a Escola Politécnica; o Palácio das Indústrias; o Grupo Escolar Rodrigues Alves; Casa das Rosas; Palácio da Justiça.
Ramos de Azevedo foi docente e vice-diretor da Escola Politécnica de São Paulo e, após a morte do fundador e diretor Antônio Francisco de Paula Souza, assumiu a direção da escola em 1917. Durante os mais de 30 anos dedicados à instituição, procurou aperfeiçoar, com o próprio dinheiro, o laboratório tecnológico do local, o atual Instituto de Pesquisas Tecnológicas – IPT.
Homem de espírito empreendedor, assumiu a presidência da carteira imobiliária do Banco União, em 1890. Comprou a Fazenda Itupararanga para fornecer mármores e cal virgem para suas obras. Associou-se à Cia. Paraná Industrial para extração de pinhos e madeiras. Em 1896, integrou a Cia. Melhoramentos de São Paulo. Fundou a Companhia Iniciadora Predial, responsável por diversos empreendimentos imobiliários, em 1908. Criou a Cerâmica Vila Prudente, em 1910 e fundou a Cia. Suburbana de Retalhamento de Terras, em 1913.
Elegeu-se senador estadual, em 1904, permanecendo no cargo por um ano e meio. As razões para sua saída foram basicamente duas: discordar da política protecionista em relação ao café e estar impedido de empreitar obras do governo.
Por sua imensurável contribuição à capital paulista, recebeu em 1914 uma homenagem com a inclusão de seu nome no Livro de Ouro do Estado de São Paulo. Uma outra homenagem se deu em 25 de janeiro de 1934, com a inauguração do Monumento a Ramos de Azevedo na Avenida Tiradentes. Com as obras do metrô na década de 1970, o monumento foi transferido para a Cidade Universitária, próximo à Escola Politécnica, onde permanece até hoje.
Campinas, a cidade que ele considerava como sua terra natal e onde ele iniciou sua brilhante carreira de arquiteto, também lhe presta duas homenagens: por proposta do vereador Manoel Francisco Mendes, em 20 de novembro de 1883, foi dado o nome de Praça Ramos de Azevedo àquela situada entre a Avenida Andrade Neves, a Rua Marquês de Três Rios e a Rua Silveira Lopes; em 2008, pela Lei nº 13.319, de 4 de junho de 2008, ficou denominado Francisco de Paula Ramos de Azevedo, o Terminal Multimodal de Passageiros do Município de Campinas.
Referências:
ESTADÃO. Acervo. Ramos de Azevedo.
Disponível em:
https://m.acervo.estadao.com.br/noticias/personalidades,ramos-de-azevedo,1044,0.htm
Acesso em: 29 nov. 2024
FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO E DESIGN DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Acervos. Ramos de Azevedo, 1851-1928.
Disponível em: https://www.acervos.fau.usp.br/item/13665
Acesso em: 29 nov. 2024
FACULDADE DE ECONOMIA E ADMINISTRAÇÃO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Pioneiros & Empreendedores. Ramos de Azevedo. São Paulo: USP, 2019.
Disponível em: https://pioneiros.fea.usp.br/ramos-de-azevedo/
Acesso em: 29 nov. 2024
FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL. Ramos de Azevedo. Brasília: Fundação Biblioteca Nacional, 2020.
Disponível em: https://www.gov.br/bn/pt-br/central-de-conteudos/noticias/ramos-de-azevedo
Acesso em: 29 nov. 2024
RAMOS de Azevedo. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2024
Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa441557/ramos-de-azevedo
Acesso em: 29 nov. 2024

