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Rua Maria Soldado

Maria José Barroso nasceu em 01 de dezembro de 1895 em Limeira e faleceu em 11 de fevereiro de 1958 em São Paulo.

Filha de escravos, Maria José trabalhava de cozinheira para a família Penteado Mendonça, quando eclodiu a Revolução de 1932.

Maria José se juntou aos seus irmãos negros nessa luta e se alistou na Legião Negra, comandada pelo General Goulart, como enfermeira voluntária da Cruz Vermelha. Sob essa condição, acompanhou os soldados constitucionalistas ao setor sul do Estado de São Paulo, mas acabou de fuzil na mão, lutando nas cidades de Buri, Ligiana e Itararé. A proeza de combatente lhe valeu o apelido de “Maria Soldado”. Foi reconhecida por seus feitos e muitos jornais da época noticiaram a sua bravura.

MS
Maria José Barroso (Maria Soldado)

 

Com o fim da Revolução de 1932, Maria José voltou as suas atividades domésticas. Terminou a sua vida vendendo doces e salgados no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Mas nunca deixou de participar das manifestações contra a ditadura de Vargas. Quando do enterro de Armando de Sales Oliveira, a ditadura havia proibido o uso da bandeira paulista, mas Maria José rompeu os cordões policiais e colocou sobre o caixão a bandeira proibida.

Quando do Jubileu de Prata da Revolução, Maria Soldado foi escolhida como a “Mulher Símbolo de 32”.

Em 11 de fevereiro de 1958, foi encontrada morta em um quartinho do prédio 2037 da Rua da Consolação. Seus restos mortais repousam no panteão dos heróis da Revolução de 32, o Obelisco Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932, conhecido como o Obelisco do Ibirapuera

O Governo do Estado de São Paulo, em 2024, lhe rendeu uma homenagem ao instituir pelo Decreto nº 68.610, de 15 de junho de 2024, a condecoração “Medalha Maria Soldado – Heroína de 32”, instituída pela Sociedade de Veteranos de 32 – MMDC.

Em Campinas, o redator-chefe do jornal Correio Popular, Luso Ventura, em artigo publicado em 08 de março de 1958, pede que se dê o nome de Maria Soldado a uma rua da cidade. O vereador Antonio da Cruz Filho, atendeu à solicitação e, em 13 de março de 1958, oficiou à Prefeitura a Indicação nº 59/58. Assim, deu-se início à tramitação do Projeto de Lei Ordinária nº 83/1958, que converteu-se na Lei nº 2.080, de 08 de julho de 1959, que denomina Rua Maria Soldado a Rua 2 do Jardim IV Centenário.

Referências:

CAMPINAS. Câmara Municipal de Campinas. Projeto de Lei Ordinária nº 83/1958. Dá o nome de Maria Soldado a uma rua da cidade.

CENTRO DE MEMÓRIA DA UNICAMP – CMU. Logradouros de Campinas: Rua Maria Soldado.

Disponível em:

https://atom.cmu.unicamp.br/uploads/r/centro-de-memoria-unicamp/7/e/8/7e8f1daaf714d8dcfe3f25240e2e7b1bcc5fd6de132236c50ff92a8f26c40412/d7dd0868-8918-4dc0-9c92-f35ad7235334-ANPV_01_03328.pdf

Acesso em: 10 jul. 2025

LÖW, L. e OGUISSO, T. Mary Seacole e Maria Soldado: enfermeiras negras que fizeram história. Cultura de los Cuidados (Edição digital) 18, 38.

Disponible em: https://repositorio.usp.br/directbitstream/346029e8-e864-4274-b3ee-ed4b39c0c65a/OGUISSO%2C%20T%20doc%20116.pdf

Acesso em: 10 jul. 2025

UMA história quase esquecida: Maria José Barroso, a guerreira da enfermagem. Universidade Federal do Ceará. Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem.

Disponível em: https://mariasoldado.wordpress.com/

Acesso em: 10 jul. 2025