Ir para o conteúdo.Ir para a navegação

Portal da Transparência
A+
A-
Acessibilidade
Acessibilidade
Busca no Memorial da Câmara
Navigation
  • R80
  • Rua Líbero Badaró

Rua Líbero Badaró

Giovanni Battista Líbero Badaró nasceu em 1798, em Laigueglia, pequena vila a oeste de Gênova, Itália e faleceu em 21 de novembro de 1830, no Rio de Janeiro.

Após concluir os estudos secundários, Líbero Badaró resolveu seguir a carreira de seu pai, Andrea Badaró, iniciando as aulas de medicina na Universidade de Pavia.

Em Bolonha, atraído pelas ciências naturais, aproveitou as lições do famoso cientista Antônio Bertoloni, catedrático em botânica. Completou seus estudos na Universidade de Turim, formando-se médico cirurgião.

Líbero Badaró herdou de seu pai o espírito liberal. Por conta de suas ideias liberalistas, foi perseguido na Itália o que fez com que abandonasse o seu país e embarcasse rumo à América.

LB
Líbero Badaró

Em 1826, aos 28 anos, desembarcou no Rio de Janeiro. Na capital do Império, revalidou seu diploma para a prática da medicina. Badaró ainda dividia o seu tempo com o estudo que mais gostava, a botânica, aproveitando-se da maravilhosa vegetação tropical.

Fez amizade com Evaristo da Veiga e costumava frequentar sua loja de livros onde se reuniam intelectuais que professavam ideias liberais. Dessa roda liberal participava também o deputado de São Paulo, José da Costa Carvalho.

Por incentivo do deputado que ofereceu hospitalidade e recomendações, Badaró mudou-se para São Paulo, um campo novo para seus estudos e um ambiente promissor para suas atividades. Chegou na cidade nos primeiros meses de 1828, hospedando-se na casa do amigo e depois fixando residência na Rua São José.

Em São Paulo, além da clínica médico-cirúrgica, exerceu o magistério lecionando geometria nos cursos jurídicos. Inspirado por José da Costa Carvalho que havia fundado o primeiro jornal da capital paulista, o “Farol Paulistano”, Badaró criou o jornal “Observador Constitucional”, em 1829.

À frente da edição do jornal, seu ativismo liberal era expresso em artigos onde manifestava sua franca e violenta campanha contra o governo imperial e a favor da liberdade de imprensa.

José da Costa Carvalho foi acusado de abuso de liberdade de imprensa por ter o “Farol Paulistano” publicado críticas contra um ex-ministro. O juri desse processo foi presidido pelo Ouvidor da Comarca Candido Ladislau Japiassu e terminou em tumulto.

Badaró apoiou o amigo José da Costa, publicando uma série de artigos no “Observador Constitucional”, onde defendia e reafirmava o direito à liberdade de imprensa e rechaçava os verdadeiros abusos.

Seja por defender a liberdade de imprensa contra os abusos da monarquia e da Constituição, seja pelas críticas a maior autoridade jurídica de São Paulo, Ladislau Japiassu, o fato é que Badaró atraiu para si a ira dos seus desafetos.

Na noite de 20 de novembro de 1830, Badaró foi abordado por dois homens que o estavam esperando em frente a sua casa na Rua São José e foi atingido por um tiro.

O barulho do tiro e os gritos da vítima alertaram a vizinhança que correu em seu socorro. Foi chamado o cirurgião-mor Joaquim Antonio Pinto que lhe prestou o atendimento.

Deitado em sua cama, Badaró estava consciente da gravidade do ferimento e teria proferido as seguintes palavras: “morre um liberal, mas não morre a liberdade”. Em 21 de novembro, aos 32 anos falecia Líbero Badaró.

Apenas um dos assassinos foi identificado e preso, Henrique Stock, um alemão. As suspeitas sobre quem seria o mandante do crime recaíam sobre o Ouvidor Ladislau Japiassu e também sobre D. Pedro I, mas nada foi confirmado.

Em Campinas, o primeiro jornalista assassinado por defender a liberdade de imprensa foi homenageado com a denominação da Rua Líbero Badaró no Jardim Alvorada, conforme o Decreto nº 6.333, de 02 de dezembro de 1980.

Referências:

CENTRO DE MEMÓRIA DA UNICAMP – CMU. Logradouros de Campinas. Rua Líbero Badaró.

Disponível em:  https://atom.cmu.unicamp.br/index.php/rua-libero-badaro

Acesso em: 29 jun. 2026

GOETA, Agustro. Líbero Badaró: o sacrifício de um paladino da liberdade. São Paulo: E. Cupolo, 1944

Disponível em: https://www.ebooksbrasil.org/eLibris/badaro.html

Acesso em: 29 jun. 2026

NOGUEIRA, André. O caso Líbero Badaró: o assassinato que escandalizou o frágil reinado de Dom Pedro I.

Disponível em:

https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/teria-dom-pedro-i-mandado-matar-libero-badaro-jornalista-liberal-da-oposicao.phtml#google_vignette

Acesso em: 29 jun. 2026