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Rua César Ladeira

César Ladeira nasceu em Campinas, no dia 11 de dezembro de 1910 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 08 de setembro de 1969. 

Era filho de José Martins Ladeira e de Adozinda Rocha Brito Ladeira. Casou-se, em 03 de outubro de 1949, com a atriz Renata Fronzi, com quem teve dois filhos: Renato e César Filho.

Em 1931, concluídos os estudos secundários em Campinas, foi para São Paulo e ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, época em que também se dedicava à atividade jornalística. Foi redator do Diário de São Paulo e colaborador do Correio da Tarde. 

No começo da década de 1930, as emissoras de rádio passaram a receber dinheiro para fazer anúncios, com isso surgiu a figura do locutor comercial. César Ladeira, que tinha uma bela voz, foi convidado a fazer um teste na Rádio Record. Os reclames eram lidos ao vivo e o teste feito por ele também foi ao vivo. Porém, no momento do teste, em vez de ler o anúncio que lhe haviam dado, César leu um discurso, que ele mesmo havia escrito, contra o presidente Getúlio Vargas. A sua crítica era em razão de Getúlio ter prometido uma nova Constituição e ter se esquecido da promessa. 

CL
César Ladeira

Os ouvintes telefonaram para a rádio apoiando o discurso de César. Os diretores que ficaram chocados com a ousadia do jovem, resolveram contratá-lo. 

Em julho de 1932, os paulistanos deram início à Revolução Constitucionalista. A Rádio Record aderiu à luta, fazendo transmissões políticas. A Rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, sede do governo, estava sob forte censura getulista, mas de madrugada, pelas ondas curtas, os cariocas conseguiam acompanhar a luta dos paulistas.

César Ladeira tornou-se “A Voz da Revolução”. Diariamente, ele estimulava as pessoas a lutarem, a se sacrificarem e a doarem dinheiro para ajudar os soldados. Suas transmissões sempre terminavam com a frase “Renuncie o ditador”. 

A Revolução, depois de dois meses, foi esmagada pelo exército de Getúlio. Ceśar Ladeira foi preso e na cadeia escreveu o livro “Acabaram de ouvir”, onde explicava o que era o rádio, como o locutor devia usar o microfone e como era o ambiente dos estúdios. Foram dezesseis dias no Presídio Paraíso. César Ladeira só não foi deportado porque o Embaixador José Carlos de Macedo Soares interveio a seu favor.

Em 1933, aceitou um convite para ser diretor artístico da Rádio Mayrink Veiga e mudou-se para o Rio de Janeiro. Na nova emissora criou as faixas de horário, onde a cada 15 minutos mudava a programação, evitando-se o tédio dos ouvintes.

Passou também a remunerar os empregados, criando a figura do elenco fixo, ou seja, do cast. Dessa forma, impedia que os técnicos e artistas fizessem bicos e deixassem de cumprir com seus compromissos. Além disso, contratou a peso de ouro a cantora Carmen Miranda, que fazia enorme sucesso nos anos 30 e atraía muitos fãs para a rádio. 

É de César Ladeira a invenção dos seguintes nomes artísticos: Carmen Miranda, a Pequena Notável; Carlos Galhardo, o Cantor que Dispensa Adjetivos; Silvo Caldas, O Caboclinho Querido; e Emilinha Borba, A Garota Nota Dez.

Em 1948, começou a trabalhar na Rádio Nacional onde apresentou por 10 anos o programa de grande sucesso “Seu criado, obrigado”, ao lado de Daisy Lucidi.

Foi no Rio de Janeiro que César Ladeira conheceu a sua esposa, Renata Fronzi. Ela morava em frente a sua casa e tornou-se uma vedete de teatro de revista. Namoram, casaram e tiveram dois filhos. A ligação de Renata Fronzi com o teatro fez com que César se envolvesse também com as artes cênicas. Ele criou a companhia de teatro que produziu peças, entre elas a “Adorei Milhões”, encenada no Teatro Alumínio, em São Paulo, um enorme sucesso onde Renata era a estrela.

Criou ainda a Empresa Brasileira de Comédias Musicais, produzindo o “Café Concerto”, espetáculo de luxo encenado nas boates cariocas Casablanca e Acapulco. 

No cinema, atuou em vários filmes como “Alô, alô, Brasil”, de 1935 e “Sob a luz do meu bairro”, de 1946. Em 1967, César também atuou em programas humorísticos da extinta TV Tupi.

Uma hemorragia cerebral tirou a vida deste grande comunicador, artista e empreendedor das artes nacionais.

Em 1977, no aniversário de 25 anos da Revolução Constitucionalista, seus restos mortais foram transladados para o Monumento Mausoléu aos Heróis de 1932, na capital paulista.

Em Campinas, César Ladeira é homenageado com o nome de uma rua na Vila Teixeira, pelo Decreto nº 3.513, de 3 de novembro de 1969.

Referências:

CENTRO DE MEMÓRIA DA UNICAMP – CMU. Logradouros de Campinas. Rua César Ladeira.

Disponível em:

https://atom.cmu.unicamp.br/uploads/r/centro-de-memoria-unicamp/1/b/9/1b9e5f109c5e25bb059fa922bea51594e18827a34d436f0b3aa22619750ba1a0/83cce65f-a032-4ff1-866e-190dfe956c80-ANPV_01_01209.pdf

Acesso em: 18 ago.2026

MBRTV – Museu Brasileiro de Rádio e Televisão. César Ladeira: biografias.

Disponível em: https://www.museudatv.com.br/biografia/cesar-ladeira/

Acesso em: 18 ago. 2026

NASCIMENTO, Douglas. São Paulo antiga. A Revolução de 1932 na voz de César Ladeira.

Disponível em: https://saopauloantiga.com.br/a-revolucao-de-1932-na-voz-de-cesar-ladeira/

Acesso em: 18 ago. 2026

PRÓ-MEMÓRIA CAMPINAS. Personagem: Ceśar Ladeira, o locutor da Revolução de 1932.

Disponível em: https://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com/2008/02/personagem-csar-ladeira-o-locutor-da.html

Acesso em: 18 ago. 2026

RÁDIO NA HISTÓRIA. Blogspot. César Ladeira, “A Voz da Revolução”. Rádio Blog. Nono Programa. 1º set. 2014. O Rádio Faz História.

Disponível em: https://radionahistoria.blogspot.com/2014/09/cesar-ladeira-voz-da-revolucao.html

Acesso em: 18 ago. 2026