Rua Engenheiro Pereira Rebouças
José Pereira Rebouças nasceu no Rio de Janeiro/RJ, em 17 de julho de 1856 e faleceu em 24 de junho de 1921, em São Paulo/SP.
Casou-se com Etelvina Moreira Rios, em Campinas, no dia 02 de setembro de 1882.
O avô de José Rebouças, Gaspar Pereira Rebouças, era um alfaiate português que chegou a Salvador no final do século XVIII. Nessa cidade, conheceu Rita Basília dos Santos, uma escrava alforriada, com quem se casou e teve nove filhos. Um de seus filhos, Antonio Pereira Rebouças, pai de José, acabou se tornando um autodidata, visto que não havia em Salvador uma Faculdade de Direito, e após anos trabalhando como advogado, recebeu em 1847, a determinação imperial para advogar em todo o país. Além disso, Antonio foi designado secretário de governo da Província de Sergipe (1824) e eleito deputado à Assembleia Geral do Governo (1843).
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Antonio Pereira Rebouças casou-se com Carolina Pinto da Silveira, filha de um comerciante. A família transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1846. Nascido na Corte Imperial, José Rebouças se formou inicialmente em Ciências Físicas e Naturais na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1876. Seu irmão, André Rebouças, foi seu professor. Um ano mais tarde, em 1877, obteve o diploma de engenheiro civil. José iniciou sua vida profissional na Estrada de Ferro Leopoldina, em Minas Gerais. Em 1879, transferiu-se para São Paulo para trabalhar nos ramais de Descalvado e São Carlos do Pinhal da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Foi chefe das obras de extensão da linha do Rio Claro em 1883. Diferentemente do seu irmão mais velho, André Rebouças, José não se envolveu em nenhum movimento político. Seu perfil era estritamente técnico, o que permitiu que ele se tornasse um engenheiro de respeito. Assumiu o cargo de diretor de Obras Públicas do Estado de São Paulo de 1883 a 1896, atendendo a um convite do Estado. Em 1896, José se transferiu para a Companhia Mogiana, onde permaneceu por muitos anos. Foi em um de seus trabalhos de inspeção que José Rebouças presenciou o episódio de um telegrafista transmitindo a seguinte mensagem: “o negro já chegou”, ao que José teria respondido: “acrescente ao despacho: “e já me demitiu”. |
No governo Bernardino de Campos, José Rebouças assumiu, em 1903, o cargo de Chefe da Comissão de Saneamento da cidade de Santos. No ano seguinte, já sob o governo de Jorge Tibiriçá, recebeu o convite do governador para ser o Diretor das Obras Novas do Abastecimento de Água da cidade de São Paulo, cargo esse que acumulou com aquele assumido em 1903.
A cidade de São Paulo havia sofrido uma grande estiagem em 1903 o que comprometeu o abastecimento de água, afetando especialmente os bairros do Brás e Belenzinho. José Rebouças, investido em seu novo cargo, apresentou um projeto para a captação das águas do Rio Tietê. A proposta sofreu forte oposição da classe médica, que admitia o uso dessas águas apenas para a indústria e para a Escola Politécnica. O seu uso para a população só deveria ocorrer depois de comprovada a eficácia da filtragem das águas. Sucedeu-se um acirrado debate entre médicos e engenheiros na imprensa da época.
Em 1904, o jornal Correio Paulistano publicou em 24 de novembro que o Dr. Emílio Ribas, Diretor do Serviço Sanitário do Estado de São Paulo, além de outros médicos de reconhecida competência não hesitaram em preferir as águas filtradas do Rio Tietê, após diversas análises de químicos e bacteriologistas.
Apesar de respaldado pelo Dr. Emílio Ribas, o projeto de captação das águas do Rio Tietê não foi aceito pelas autoridades. Especula-se que houve ingerência da Light and Power, empresa de fornecimento de energia elétrica, que tinha interesses nas águas do Tietê.
Com a recusa de seu projeto, José Rebouças pediu demissão dos dois cargos que ocupava na administração estadual e em dezembro de 1904 voltou a trabalhar como Inspetor Geral da Companhia Mogiana, função que desempenhou até janeiro de 1914.
José Rebouças dedicou o resto da sua vida defendendo a importância da expansão das linhas férreas no Brasil, até a sua morte em 1921.
Em Campinas, a Rua Engenheiro Pereira Rebouças presta uma homenagem a José, filho de uma família negra que teve condições de acesso a uma educação de elite, algo raro no Brasil do século XIX, com a escravidão ainda em vigor.
Ato nº 159, de 17 de fevereiro de 1939.
Referências.
BRAZIL IMPERIAL. O outro engenheiro Rebouças. 27 de dezembro de 2020. Facebook: Brazil Imperial.
Acesso em: 31 ago. 2026
CENTRO DE MEMÓRIA DA UNICAMP – CMU. Logradouros de Campinas. Rua Engenheiro Pereira Rebouças.
Disponível em:
Acesso em: 8 set. 2026
MACIEL, Laura Antunes. A nação por um fio: caminhos, práticas e imagens da Comissão Rondon. São Paulo: EDUC, 1998.
VILAR, Dalmo Dippold e FONSECA, Filomena Pugliese. A recusa do projeto do Engenheiro Rebouças: Tietê, um rio abandonado à própria sorte. Khronos, Revista de História e Ciência. São Paulo, nº 8, p. 64-71, dezembro 2019

