Avenida Engenheiro Antônio Francisco de Paula Souza
Antônio Francisco de Paula Souza nasceu em 6 de dezembro de 1843 em Itu, interior de São Paulo, filho primogênito do médico Antônio de Paula Souza e de Maria Rafaela de Aguiar Barros. Era descendente de famílias de grande influência na política nacional e na economia paulista. Seu avô paterno, Francisco de Paula Souza e Mello, participou do processo de emancipação política brasileira como deputado das Cortes de Lisboa em 1821 e foi membro da Assembleia Constituinte de 1823. Seu avô materno, Antônio Pais de Barros, grande fazendeiro, foi o primeiro barão de Piracicaba. Já seu pai, foi deputado provincial, deputado geral e ministro da agricultura.
Paula Souza iniciou seus estudos no Colégio Brás Carneiro Leão em Itu e em 1858, partiu para a Alemanha, onde deu continuidade a seus estudos secundários no Colégio Krause, em Dresden.
Em 1861, ingressou na Escola Politécnica de Zurique, na Suiça. Seguiu para a Alemanha no ano seguinte para concluir seus estudos na Faculdade de Química da Escola Politécnica de Karlsruhe. Nessa cidade, conheceu Ada Virginie Herwegh, filha do poeta revolucionário alemão Georg Herwegh, com quem se casou em 1870.
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Posicionava-se como um liberal a favor de ideias republicanas, abolicionistas e de liberdade religiosa. No ano de 1869, publicou o panfleto A República Federativa no Brasil. De volta ao Brasil em 1871, com grande bagagem em formação tecnológica, foi admitido como engenheiro na Companhia Ituana de Estrada de Ferro, onde atuou como encarregado do prolongamento da linha Jundiaí-Itu. Na mesma época, ajudou a organizar o clube republicano de Itu e tornou-se membro da loja maçônica América. Em 1873, participou da Convenção de Itu, cujos desdobramentos levaram à fundação do Partido Republicano Paulista (PRP). Paula Sousa apoiou o movimento de 15 de novembro de 1889 e participou do primeiro governo republicano constituído em São Paulo, assumindo o cargo de diretor da Superintendência de Obras Públicas em dezembro de 1889. Trabalhou também como engenheiro em Campinas, sendo um dos concessionários para a instalação do serviço de águas e esgotos da cidade, juntamente com Roberto Normanton, Bento Quirino e Joaquim Quirino dos Santos. |
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Em março de 1892, concorreu às eleições para a Câmara do Congresso Legislativo de São Paulo. Foi o candidato mais votado da chapa do PRP e, eleito deputado estadual, assumiu a presidência da Câmara. Nesta oportunidade, apresentou um projeto de criação de uma escola superior de matemática e ciências aplicadas às artes e indústrias, com a denominação de Instituto Politécnico de São Paulo, inspirado nos modelos das escolas técnicas suíças.
Em meio aos debates de seu projeto, o Congresso Legislativo paulista aprovou a criação de uma escola superior de agronomia e outra de engenharia. Isso, porém, não impediu a aprovação do projeto de Paula Souza, que ocorreu em agosto de 1892. No ano seguinte, por proposta do presidente estadual Bernardino de Campos, foram unificadas as duas instituições de ensino de engenharia e assim foi criada a Escola Politécnica de São Paulo, sob a direção de Paula Souza, contando então com 31 alunos matriculados e 28 ouvintes.
Também no ano 1892, por designação do presidente Floriano Peixoto, assumiu o Ministério das Relações Exteriores.
Foi reeleito deputado estadual em 1895, porém abdicou do cargo para dar continuidade em suas atividades de diretor e professor da Escola Politécnica de São Paulo, onde atuou até o fim de sua vida.
Em 1905, introduziu o ensino do concreto armado no Brasil, técnica ainda quase desconhecida no país e grande novidade mesmo nos países mais avançados. Organizou também o Gabinete de Resistência dos Materiais, matriz do futuro Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) de São Paulo. Em 1916, participou da fundação do Instituto de Engenharia de São Paulo e foi eleito presidente da primeira diretoria da associação. Publicou dezenas de artigos e livros técnicos sobre estabilidade das construções, geometria superior e grafostática.
Paula Souza faleceu em São Paulo em 13 de abril de 1917. Considerado um homem à frente de seu tempo, como educador sempre defendeu o papel da escola como meio de formação não somente acadêmica mas de profissionais, trabalhando para o progresso material, industrial e intelectual do País.
Em 6 de outubro de 1969, o governo paulista criou o Centro Estadual de Educação Tecnológica de São Paulo, posteriormente denominado Centro Paula Souza, em homenagem ao engenheiro e professor.
Em Campinas, Antônio Francisco de Paula Souza teve seu nome atribuído a uma via pública pelo Ato nº 159, de 17 de fevereiro de 1939, alterado pela Lei nº 7.068, de 13 de julho de 1992.
Referências:
CENTRO DE MEMÓRIA DA UNICAMP. Rua Engenheiro Antonio F. de Paula Souza. Disponível em: https://atom.cmu.unicamp.br/uploads/r/null/3/b/5/3b53e7a7c26370ad90d73c18b7e6ab54fdcb604736ab16625a2c40526914bd7a/5f6bde46-45f2-4f2a-af2e-5a4a58472c92-ANPV_01_00528.pdf Acesso em: 1 ago. 2024.
FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Antônio Francisco de Paula Sousa. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/SOUSA,%20Paula.pdf Acesso em: 1 ago. 2024.
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. ESCOLA POLITÉCNICA. Prof. Dr. Antônio Francisco de Paula Souza. Disponível em: https://www.poli.usp.br/diretores/232-prof-dr-antonio-francisco-de-paula-souza.html Acesso em: 15 ago. 2024.

